Devido as fortes chuvas ONS descarta racionamento de energia para 2022


Cautela de especialistas com racionamento se contrapõe a otimismo de órgão do governo

As fortes chuvas que atingiram o sudeste do Brasil ao longo do período chuvoso trouxe um respiro para o setor energético do país. A caixa d’água do país acumula atualmente mais de 66% da capacidade de seus reservatórios com a chegada nas próxima semanas da temporada de estiagens em grande parte do país. Nesta mesma época no ano passado, o subsistema sudeste/centro-oeste operava com 35% do volume máximo.

Para o ONS (Operador Nacional do Sistema elétrico), este índice deve ser o observado somente ao fim da estação seca, por volta de outubro ou novembro, de acordo com as projeções.

O subsistema que em 2021 sofreu com a pior crise hídrica dos últimos 90 anos possui este apelido por contar com 20 usinas hidrelétricas responsáveis por mais de um terço de toda a energia elétrica gerada no país e por 70% de todos os reservatórios nacionais. Juntas elas têm potência de quase 18.500 MW, energia suficiente para abastecer a Argentina inteira aproximadamente.

O volume de chuvas no verão da região centro-sul do país combinado a uma diminuição na geração elétrica destas usinas – priorizando assim o armazenamento, prática que não foi adotada de modo mais assertivo no ano passado, de acordo com especialistas do setor – resultou no melhor nível dos reservatórios do subsistema desde 2012.

O lago de Furnas, por exemplo, maior entre as 20 usinas, está na cota 766,1m, ou 84% da sua capacidade total. Um mar de mais de 14 trilhões de litros de água. A última vez que a usina acumulou mais água foi em 25 de Abril de 2012, segundo os dados do ONS, que em conjunto com a ANA (Agência Nacional de Águas) monitora e controla as represas do Sistema Interligado Nacional.




De acordo com os cálculos apresentados, a expectativa do ONS é de que a capacidade dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) possa chegar em novembro, no fim do período seco, com nível mínimo de 40% e máximo de 60%.

Para o professor de agrometeorologia da Universidade Federal de Uberlândia Roberto Atarassi, ainda é cedo para declarar o fim do alerta hídrico nas regiões do país afetadas pela seca e cravar que o pior já passou. No polígono das secas do centro-sul – área de grosso modo entre a região de Ribeirão Preto/SP, o triângulo mineiro e Ilha Comprida, entre SP e MS – ele sente que a estação chuvosa encerrou mais cedo neste ano e de modo abrupto.

“Podemos ter uma estação seca tão longa quanto a do ano passado, também por causa do fenômeno La Niña, que deve atingir estas áreas do Brasil”, avalia. “A realidade é que em geral não conseguimos repor as perdas hídricas dos últimos anos, há até mesmo especialistas que consideram que estamos desde 2012 em um mesmo ciclo longo de estiagem e vejo ainda um cenário muito parecido com aquele atravessado em 2014”, completa.

 

 

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