ONS divulga previsão do volume dos reservatórios no final de novembro/2022


Estudo analisa cenário com poucas chuvas e outro com chuvas na média histórica.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) publicou em 15/06 estudo com a avaliação das condições para atendimento da geração de energia para o período de maio a novembro de 2022, considerando os fatores climáticos e as previsões da situação dos níveis dos principais reservatórios para o final do mês de novembro/2022.

O pior período de estiagem em 91 anos

Com a condições climáticas vivenciada no último período seco, 2021, nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e calha principal do rio Paraná, foi observada a pior sequência de afluências de abril a setembro, com 53% da média histórica. Sendo influenciada pelo volume de chuvas abaixo da média histórica ao longo dos últimos anos.

Em outras bacias, observaram-se as piores sequências hidrológicas de todo o histórico de vazões de 91 anos (1931/2021). Considerando de forma agregada as vazões para todo o sistema, o último período seco, abril a setembro de 2021, configurou a pior condição já observada para esse período no histórico. Nesse contexto, a bacia do rio Paraná, que engloba as bacias dos rios Paranaíba, Grande, Tietê e Paranapanema, e na qual se encontram os principais reservatórios de regularização do Sistema Integrado Nacional (SIN), vivenciou a pior série já registrada em 91 anos de dados.




As usinas dessa bacia e respectivos reservatórios são de extrema importância para a operação do SIN, pois as águas estocadas são capazes de garantir energia nos períodos secos. O conjunto de reservatórios das usinas localizadas na bacia do rio Paraná corresponde a cerca de 76% da capacidade máxima de armazenamento do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste e um pouco mais da metade (53%) da capacidade de armazenamento de todo o SIN.

Período chuvoso pouco acima da média histórica.

O período chuvoso 2021/2022 teve seu início dentro do esperado, na segunda quinzena de outubro de 2021, e, dessa forma, contribuiu para a melhora da situação desfavorável na qual se encontrava a bacia do rio Paraná. Destacando as afluências nas bacias dos rios Grande, Paranaíba e calha principal do rio Paraná, desde outubro de 2021 até o mês de fevereiro de 2022, teve um volume de chuvas próximo à média histórica do período.

Em 10/02/2022 o reservatório de Peixoto, ou Mascarenhas de Moraes, atingiu 70% de seu volume útil. Três dias depois, 13/02, foi a vez de Furnas atingir os 70% do seu volume. A partir desse nível de armazenamento as limitações de defluências impostas pela Resolução ANA nº 110/2021 foram suspensas.

No decorrer de março de 2022, houve a redução da precipitação na bacia do Paraná, antecipando o final do período úmido. Em consequência, no mês de abril de 2022 foi observada uma condição menos
favorável que a média.

Volume dos principais reservatórios da bacia do rio Paraná no final do período de chuvas.
(O posicionamento considera um histórico de 23 anos).

 

Também ocorreu a recuperação de reservatórios importantes nas bacias dos rios São Francisco e Tocantins, que verificaram afluências bastante favoráveis, em especial nos meses de janeiro e fevereiro, proporcionando melhoria dos armazenamentos dos subsistemas Nordeste e Norte.  De modo similar, os armazenamentos dos reservatórios do subsistema Sul estão sendo recuperados, em virtude da recente condição hidroenergética mais favorável na qual se encontram as bacias dos rios Iguaçu e Uruguai, que correspondem à 81% da capacidade total de armazenamento do sul do país.

O período de outubro de 2021 a abril de 2022, considerando de forma agregada para todo o sistema configura com uma condição hidrológica levemente superior à média histórica em 2%.




Estimativas para o final de novembro/2022

Considerando as condições, volume, distribuição, etc, de chuvas, vivenciadas no período de estiagem de 2021 e período de chuvas que se seguiu e também as condições da temperatura da água do mar, fenômenos El Niño e La Niña, comparados com os dados históricos de 2006 a 2021 chegou-se a dois cenários de referência para elaboração da estimativa do volume dos reservatórios para o final de novembro/2022.  Nos anos de 2008 e 2021 as condições eram semelhantes a atual. Sendo que em 2008 desenvolveu-se posteriormente o pior cenário de chuvas.

O estudo enfatiza a grande dificuldade de elaborar com precisão previsões climáticas  a longo prazo, notadamente para a região Sudeste/Centro-Oeste do Brasil.

O ONS destaca que a operação dos reservatórios que compõem o SIN é realizada considerando o uso de outras fontes de geração, da maximização das capacidades de intercâmbio entre os subsistemas e do
cumprimento de regulamentações vigentes de atendimento a usos múltiplos, que podem ser permanentes ou temporárias, como por exemplo, exigências ambientais (piracema) e a necessidade do uso da água para navegação (hidrovias).

Neste contexto, o ONS projeta para o final de novembro de 2022 as seguintes condições para os reservatórios brasileiros:

  • Furnas tem previsão de chegar ao final de novembro/2022 na cota 761,0 m (equivalente a cerca de 50% do volume útil) no cenário que considera as chuvas do ano de 2008, e na cota 762,0 m (equivalente a 56% volume útil)
    no cenário que considera chuvas do ano de 2021;
  • Peixoto/Mascarenhas de Moraes termina o mês de novembro/2022 com 49,7% do seu volume e 56,1%, respectivamente, nos cenários baseados nas chuvas de 2008, pior cenário, e 2021, melhor cenário;
  • Marimbondo atinge 20,0% do volume útil ao final de novembro/2022 para o cenário de chuvas do ano de 2008 e 60,7% para o cenário baseado nas chuvas de 2021;
  • Água Vermelha termina o mês de novembro/2022 com 20,0% do volume, quando se considera repetição das chuvas de 2008, e com 65,4% para as chuvas do ano de 2021;
  • Nova Ponte chega ao final de novembro/2022 com 38,0%, no cenário que considera repetição das chuvas de 2008, e com 42,9% no cenário de chuvas do ano de 2021;
  • Emborcação atinge 50,0% do volume útil e 47,5% para os mesmos cenários de chuvas;
  • Itumbiara termina o mês de novembro/2022 com 40% e 75,5%, nas condições acima;
  • São Simão alcança os níveis de 20% e 62,2% para os mesmos cenários;
  • Serra da Mesa atinge valores de 44,5%  e 51,0% V.U. em novembro/2022;
  • Ilha Solteira não terá grande variação de nível entre os dois cenários, sendo previsto a cota 326,0 m e 326,4 m, suficientes para manter a operação da hidrovia Tietê-Paraná, que exige um nível mínimo de 325, 4 m;
  • Três Marias atinge 42,5%  ao final de novembro/2022 para o cenário baseado na chuva de 2008, e 62,4% de volume para o cenário baseado na chuva de 2021;
  • Sobradinho finaliza novembro/2022 com nível de cerca de 46% de volume em ambos os cenários.

 

Com informações do ONS.




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