Segundo ONS período seco começa com um dos maiores armazenamentos dos últimos tempos


Sudeste/Centro-Oeste tem 66,5% de volume armazenado, previsão mais pessimista aponta 39,6 para o final de novembro.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou na última reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), as condições de suprimento de energia elétrica no Brasil. O período seco de 2022 começou com um dos maiores níveis de armazenamento dos reservatórios dos últimos anos, reflexo do bom período chuvoso e da atenta gestão realizada durante o período de crise de escassez hídrica pelo Operador, em parceria com a Agência Nacional das Águas (ANA), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a governança do setor elétrico.

As flexibilizações nas restrições hidráulicas e o monitoramento das vazões defluentes que resultaram em menos água saindo dos reservatórios, associados ao uso de geração termelétrica foram fundamentais para que os resultados atuais fossem alcançados. Sendo assim, num cenário, cujo período de avaliação vai até novembro de 2022, as projeções apontam para o pleno atendimento energético sem que haja a necessidade de uso da reserva operativa, durante todo o ciclo analisado.

O ONS registrou que, em abril de 2022, houve a continuidade das chuvas verificadas no Sul, o que resultou em maiores afluências na região, refletindo positivamente na quantidade de água estocada. Nos demais locais, a precipitação foi predominantemente abaixo da média histórica (MLT), com a ocorrência de pouca chuva nas bacias do Sudeste/Centro-Oeste.




A melhoria das condições na região Sul, aliada às estratégias adotadas na gestão da crise hídrica, também se refletiu no SIN, e o período úmido terminou com os maiores armazenamentos equivalentes nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte verificados nos últimos anos. Foram alcançados ao final de abril, armazenamentos equivalentes a 66,5% no Sudeste/Centro-Oeste, 67,1% no Sul, 96,1% no Nordeste e 99,0% no Norte. Já a previsão para o fim de maio nesses subsistemas é de 69,0%, 84,6%, 94,0% e 99,6%, respectivamente.

Vale destacar que, apesar da melhora na condição hidroenergética do SIN, é fundamental a manutenção das ações para contribuir com a recuperação dos principais reservatórios do SIN. Por isso, os estudos apresentados indicam que algumas das flexibilizações hidráulicas implementadas no decorrer de 2021 e 2022 devem ser mantidas com o objetivo de gradualmente manter a elevação dos níveis de água. Estudos prospectivos indicam que, no cenário mais conservador, a expectativa de armazenamento ao final de novembro no subsistema SE/CO é de 39,6%, 20 pontos percentuais acima dos níveis de 2021. Enquanto na projeção menos conservadora é de 54%, 35 pontos percentuais acima, considerando o mesmo período do ano.

Na reunião, destacou-se também o fim do despacho antecipado durante o mês de abril das térmicas Luiz Oscar Rodrigues de Melo e Santa Cruz. Porém, considerando as previsões até novembro, o Operador recomendou ao colegiado a geração térmica por ordem de mérito e inflexibilidade. O despacho térmico atualmente está em 3.700 MW médios.




Durante o encontro, houve a formalização do encerramento do Grupo de Trabalho do CMSE, instituído em maio de 2021, para acompanhamento periódico das condições de atendimento ao SIN. Agora, as equipes técnicas se reunirão conforme necessidade para debates de temas específicos.

Sobre o ONS:

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), além do planejamento da operação dos sistemas isolados do país. Sob o comando do ONS estão 161 hidrelétricas em 22 bacias hidrográficas, de múltiplos proprietários, que deverão totalizar quase 110GW no SIN até 2025. Atualmente, a matriz elétrica brasileira é considerada um exemplo mundial de sustentabilidade, visto que mais de 82% da energia elétrica produzida vem de fontes renováveis. Com mais de 20 anos de existência, o Operador mantém equipes atuando durante sete dias por semana, 24 horas por dia, em salas de controle localizadas no Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Florianópolis.

 

Publicado pelo ONS.

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