Sistema Cantareira, em SP, entra em alerta com 39,5% de sua capacidade


Quase metade da água que abastece o Cantareira tem suas nascentes em MG.

O Sistema Cantareira, que abastece cerca de 7 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, passou a operar oficialmente na faixa de alerta. No sábado (02/07), o nível do reservatório estava em 39,5% da capacidade. A situação não prevê alteração na operação. A Agência Nacional de Águas (ANA) define cinco faixas que definem os limites de retirada de água do sistema. A faixa de alerta é definida quando o sistema tem volume útil acumulado entre 30% e 40%.

Para o enquadramento nas faixas, a ANA considera o volume do último dia do mês anterior. Em 28 de junho o volume estava em 40% e no dia 30, o Cantareira acumulava 39,7%.

A trajetória de baixa do nível de água na Cantareira tende a não se reverter já que os institutos de meteorologia não preveem chuvas para os próximos dias. Em algumas regiões da cidade de São Paulo a Sabesp vem cortando, já há algum tempo, o fornecimento de água por algumas horas à noite até o começo da manhã do dia seguinte sob a alegação de menor pressão do sistema.




De acordo com a Sabesp, a companhia está retirando atualmente 22 m³/s, inferior ao limite máximo de 27 m³/s autorizado. A faixa seguinte à de alerta é a de restrição quando o volume útil acumulado está entre 20 e 30%. Na faixa normal, a Sabesp pode retirar 33 m³/s. A faixa mais restritiva é a especial, quando o limite de retirada é 15,5 m³/s.

O sistema Cantareira

O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), utilizando 33 m3/s de água para abastecer, aproximadamente, 46% da população da RMSP. É formado por cinco reservatórios (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), os quais estão conectados por túneis subterrâneos e canais e formam o Sistema Equivalente do Cantareira.

Para produzir essa quantidade de água, o Sistema faz a transposição entre duas bacias hidrográficas, importando água da Bacia do Rio Piracicaba para a Bacia do Alto Tietê. Dos 33 m³/s de água produzidos, apenas 2 m³/s são produzidos na Bacia do Alto Tietê, pelo rio Juquery. Dos 31 m³/s produzidos na Bacia do Piracicaba, 22 m³/s vêm dos reservatórios Jaguari-Jacareí, cujas bacias estão inseridas majoritariamente no estado de Minas Gerais. Além deles, as nascentes dos principais tributários do Rio Cachoeira estão localizadas em Minas Gerais, o que faz com que cerca de 45% da área produtora de água para o sistema esteja em território mineiro.




A gestão do Sistema Cantareira é de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE). Apesar de o Sistema estar localizado integralmente em território paulista, recebe água de uma bacia hidrográfica de gestão federal. A ANA e o DAEE fazem o acompanhamento por meio dos dados de níveis da água, vazão e volume armazenado, e, também, definem, dentro de suas atribuições legais, as normas e regras que determinam a operação do Sistema. A operação, por sua vez, é realizada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável por observar as restrições estabelecidas e comunicar os casos de necessidade de operação emergencial.

Com informações do Correio Braziliense e Agência Nacional de Águas.

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