Usina hidrelétrica de Marmelos – a primeira hidrelétrica da América do Sul

Há 133 anos era inaugurada em Juiz de Fora (MG) a primeira usina hidroelétrica da América do Sul

Colaboração de Rita Couto

Na segunda metade do século XIX, Juiz de Fora era considerada a cidade mais industrial de Minas Gerais e se destacava por sua grande arrecadação fazendária. Ali estavam instaladas as maiores indústrias do Estado, o polo comercial era admirável, havia transporte público e linhas telefônicas em funcionamento.

Todo este sucesso atraia novos empreendedores, que chegavam à cidade com ideias inovadoras. Um deles foi Bernardo Mascarenhas, que transferiu sua residência para Juiz de Fora na década de 1880. Nascido em 30 de maio de 1847 em Curvelo (MG), ao completar 18 anos de idade ele recebeu de seu pai, Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas, a importância de 26:000$000 (vinte e seis mil réis). Era uma espécie de dote que seu pai oferecia a cada um dos filhos, para que tivessem a chance de iniciar seu próprio caminho profissional investindo em uma atividade econômica.

Bernardo se associou aos irmãos Antônio Cândido e Caetano Mascarenhas. Juntos, investiram na indústria têxtil, que começava a se desenvolver no Brasil, e fundaram a Fábrica Cedro, com teares importados para a produção de tecidos de algodão.

Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas

Depois de viajar por longo tempo pela Europa, Inglaterra e Estados Unidos para aperfeiçoar-se em tecelagem industrial e para adquirir modernas máquinas e equipamentos, Bernardo Mascarenhas retornou para Minas Gerais e implantou em 1875 uma nova indústria para outros de seus irmãos e um cunhado. Esta fábrica têxtil recebeu o nome de Cachoeira.

Em 1886, desejando realizar novos empreendimentos, Bernardo Mascarenhas vendeu sua parte na Companhia de Fiação Cedro. No ano de 1888 transferiu sua residência para Juiz de Fora (MG) e fundou na atual avenida Getúlio Vargas a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas. No início, os 60 teares da fábrica eram movidos a vapor e produziam tecidos da mais alta qualidade, que eram vendidos para todo o Brasil.

A energia hidroelétrica era uma novidade que estava muito em alta nos Estados Unidos e Bernardo Mascarenhas, sempre atento às inovações tecnológicas, resolveu aplicar esta força não apenas para mover os teares de sua indústria têxtil, mas também para iluminar as ruas de Juiz de Fora com energia hidroelétrica, inédita na época, em substituição aos antigos lampiões a querosene.

Bernardo, então, solicitou à Câmara Municipal a concessão para a iluminação pública e particular da cidade. Além disso, adquiriu as terras em que se encontrava a cachoeira de Marmelos e ali instalou a primeira usina hidroelétrica da América do Sul em 1889. Para cumprir o contrato de iluminação assinado com a municipalidade, Mascarenhas incorporou a Companhia Mineira de Eletricidade (CME), que passaria a fornecer energia elétrica residencial e pública.

A primeira lâmpada foi acessa em Juiz de Fora em 5 de setembro de 1889, fazendo com que a cidade seja considerada também como o primeiro município da América do Sul a possuir iluminação pública hidroelétrica.

Usina de Marmelos – Primeira hidrelétrica da América Latina

Esta usina pioneira possuía duas turbinas hidráulicas, que geravam energia para movimentar a Companhia Têxtil, além de acender 185 lâmpadas de iluminação pública e 700 lâmpadas nas residências.

No relatório de 30 de agosto de 1892, Bernardo Mascarenhas informava que a Companhia Mineira de Eletricidade estava funcionando regularmente e que o serviço de iluminação elétrica se encontrava com tal desenvolvimento que se aproximava a possibilidade daquela nova energia movimentar os motores das muitas indústrias já existentes em Juiz de Fora.

O sistema de transporte urbano de Juiz de Fora, com bondes puxados à tração animal (também pioneiro em Minas Gerais), atraiu o interesse da CME, que em 1905 adquiriu este serviço. Pouco depois, em junho de 1906, começaram a circular na cidade os dois primeiros bondes elétricos. A Companhia Mineira de Eletricidade passou a fabricar os carros em suas próprias oficinas e também adquiriu os direitos para o serviço de telefonia, que foi o primeiro do estado e funcionava na cidade desde 1883.

A Usina Hidrelétrica de Marmelos, pioneira na América do Sul, passou a pertencer à Cemig em 1977, quando a Companhia Mineira de Eletricidade foi por ela adquirida.

 

 

Rita Couto é jornalista, escritora e historiadora.

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